Pelo Irmão Dyogner do Valle Mildemberger. 06 de julho de 2026.

Por que fazemos o que fazemos? Pelo que esperamos ser reconhecidos? Ou melhor, como esperamos ser vistos pelas pessoas com as quais nos relacionamos? Estas são questões que certamente são substrato para reflexões da maioria das pessoas. Seja no trabalho, na família, com os amigos ou na Maçonaria, estamos quase sempre empenhados, mesmo que inconscientemente, em construir ou em manter uma imagem sobre nossa pessoa.
Essa imagem que idealizamos pode ser construída a partir de objetivos ou de princípios. Na nossa vida profissional, existem períodos em que buscamos por qualificações e nos dedicamos sobremaneira nas tarefas e metas que são colocadas diante de nós. Fazemos isso por vários motivos, mas os principais deles geralmente são para alcançarmos melhores posições na hierarquia a partir do mérito pelo bom trabalho e, principalmente, para obtermos melhores remunerações. Podemos dizer então que somos movidos por objetivos e ambições — no melhor sentido da palavra.
Porém, não importa quão bons sejamos em dar bom êxito às tarefas que nos são delegadas se não formos boas pessoas umas com as outras. “ Antes de ser um bom profissional, seja uma boa pessoa ” (aposto que você já deve ter visto isso em algum lugar por aí).
Ser uma boa pessoa é o apanágio daquele que possui sólidos princípios morais. Contudo, é necessário que esses princípios sejam convertidos em conduta. Quando nossas ações são orientadas por esses princípios, estamos contribuindo para a construção de uma imagem positiva nos meios sociais em que vivemos, capaz de inspirar confiança e respeito, consolidando uma reputação ilibada e exemplar.
Mas de quais princípios estamos falando? Quais valores são esses? A palavra “valores” é moralmente neutra. Uma pessoa pode possuir valores muito firmes e, ainda assim, esses valores serem eticamente condenáveis. Em se tratando de Maçonaria, esses termos são mais precisos, pois devem remeter diretamente ao ideal de aperfeiçoamento de caráter. Nesse sentido, espera-se que um maçom que realmente tenha entendido a Arte, cultue a retidão de caráter, a lealdade, a discrição, a fraternidade, a família, o cumprimento da palavra, a humildade e a coerência entre o discurso e a prática. Sendo assim, se idealizamos ter uma imagem que seja fomentada pelos valores éticos e morais que cultuamos na Maçonaria, devemos nos fazer uma pergunta: minha conduta manifesta efetivamente as virtudes que se esperam de um maçom?
Quando alguém é iniciado na Maçonaria, ele passa a ser formalmente reconhecido como irmão. Porém, ao longo da vida maçônica, existe um segundo tipo de reconhecimento que decorre da convivência. Nesse sentido, alguém pode possuir todos os direitos maçônicos e, ainda assim, não ser visto pelos irmãos como uma referência de comportamento. Por outro lado, existem irmãos cuja presença inspira confiança quase imediatamente, justamente porque possuem uma imagem condizente com os princípios que professam. Entre os maçons, é fácil encontrar quem conte uma história ou outra sobre algum maçom cujo comportamento não esteja alinhado com o arcabouço de valores da Ordem.
Se família é um valor para um maçom, ele nunca colocará a paz da sua casa em risco por conta de aventuras extraconjugais. A deslealdade conjugal representa o abandono das virtudes que juramos defender, mostrando que as atitudes falam muito mais alto do que as palavras proferidas.
Se lealdade é um valor para um maçom, ele não difama um irmão na sua ausência nem adota uma postura diferente quando está diante dele; ele não alimenta comentários depreciativos às escondidas, especialmente sob a falsa impressão de que jamais serão conhecidos. Portanto, suas palavras não mudam conforme muda o auditório; o que é capaz de dizer sobre um irmão na sua ausência é exatamente o que teria coragem de dizer diante dele.
Se fraternidade é um valor para um maçom, ele deve ser afável ao trato e tratar os irmãos com respeito, mesmo quando há divergências de ideias. Ele não usa a instrução maçônica para construir uma imagem de superioridade intelectual, mas para aperfeiçoar o próprio caráter.
Se um irmão afirma que cobraria mais caro de outro irmão apenas para desencorajá-lo a fazer negócios consigo, ele está declarando, sem perceber, que sua antipatia vale mais do que a fraternidade que jurou cultivar.
Se o cumprimento da palavra e o compromisso são valores para um maçom, ele não assume encargos que não pretende cumprir, nem oferece promessas que sabe não poder honrar, e sua palavra inspira confiança porque seus atos confirmam o que seus lábios afirmam.
Percebemos que imagem é uma consequência inevitável da conduta.
Você se tornou alguém que merece ser reconhecido como irmão? Que proveito a Iniciação produziu em você?
Se as respostas para estas perguntas não lhe causaram qualquer constrangimento, é provável que, ao lhe perguntarem se seus irmãos como tal o reconhecem, você não precise responder, pois sua reputação (ou imagem) responderá por você. Não serão os muitos anos de Maçonaria, os cargos que ocupou nem os inúmeros livros que leu que falarão em seu favor. Seus irmãos se lembrarão de você pela imagem que sua conduta lhes permitiu formar a seu respeito.